O esporte é mais do que competição; é uma escola de vida, um caminho para superação e união. Em São Sebastião, porém, os atletas do voleibol masculino e feminino estão lutando não apenas contra os adversários em quadra, mas contra uma gestão que insiste em ignorar suas conquistas e necessidades. O ano de 2024 ficará marcado não pelas vitórias – que foram muitas –, mas pelo desrespeito e pela negligência da Secretaria de Esportes.
Um Ano de Frustrações
Desde abril, o cenário desolador tomou conta do esporte na cidade. A estrutura que vinha funcionando minimamente nos últimos anos foi desmantelada. Jogos importantes foram perdidos por W.O. simplesmente porque o transporte não foi providenciado. Mais de seis partidas ocorreram sem que houvesse alimentação para os atletas, obrigando técnicos e gestores a custearem até as taxas de arbitragem.
Enquanto os treinos e a equipe técnica seguem sendo mantidos com ajuda de patrocinadores e esforços individuais, a Secretaria de Esportes tem se mostrado ausente. Uniformes, bolas e pagamento da comissão técnica não são bancados pelo órgão, apesar do orçamento municipal de R$ 1,8 bilhão.
O Escândalo da Taça Paraná
Um dos episódios mais emblemáticos aconteceu com as equipes femininas na Taça Paraná, o maior torneio de base do Brasil. Mesmo com tudo acertado e documentado pela Secretaria de Esportes, a participação foi cancelada de última hora, na sexta-feira, quando a viagem estava marcada para domingo. O desespero tomou conta das atletas, mas, com esforço coletivo, conseguiram um alojamento e os pais custearam a alimentação. A Prefeitura, nesse caso, cedeu apenas a van para o transporte.
Superliga B: Uma Competição Ignorada
A Superliga B, segunda maior competição de voleibol do país, deveria ser motivo de orgulho. Em vez disso, as equipes masculinas enfrentam um abandono que chega a ser humilhante. Transporte para o aeroporto e uma pequena parte da alimentação foram as únicas contribuições da Secretaria. Hospedagem e demais custos são um verdadeiro jogo de sorte – ninguém sabe se haverá suporte ou não até o último momento.
“O secretário trata a Superliga B como se fosse um campeonato de bairro”, desabafa um atleta. A falta de apoio beira o absurdo: as equipes, que colocam São Sebastião no mapa do voleibol nacional, são ignoradas por uma gestão que sequer comparece para assistir aos jogos.
Promessas Não Cumpridas e Prioridades Questionáveis
Além do descaso com o voleibol, outros esportes também sofrem com a má gestão. O programa Força Atleta, que oferecia auxílio financeiro de R$ 772, foi extinto sem explicações. As categorias de base, que deveriam ser incentivadas, ficaram totalmente desamparadas. Enquanto isso, um campeonato municipal de futebol masculino para veteranos foi premiado com R$ 57 mil, além de arbitragem, troféus e suporte logístico.
Como aceitar que uma cidade com um orçamento bilionário não consiga atender às demandas básicas dos atletas que a representam?
A Luta dos Atletas
Os relatos são chocantes: meninas esperando na chuva por vans que nunca chegaram, jogos perdidos por ausência de transporte, alimentação negada, promessas vazias. O desespero tomou conta dos atletas, técnicos e pais. Mesmo assim, eles resistem. Eles treinam, competem e continuam trazendo resultados para a cidade.
O voleibol de São Sebastião representa mais de 800 pessoas, entre atletas e apoiadores, que se dedicam para elevar o nome da cidade. Eles não pedem privilégios; pedem apenas que o combinado seja cumprido. Que a Secretaria de Esportes forneça o básico: transporte, hospedagem, alimentação e pagamento de taxas. É o mínimo para que o esporte continue a ser uma ferramenta de transformação e orgulho.
Um Chamado à Ação
Este artigo Este artigo é um desabafo e um apelo. Aos amantes do esporte, aos cidadãos de bem e às autoridades competentes: é hora de agir. O voleibol de São Sebastião precisa de apoio, precisa de respeito. Não podemos permitir que o descaso continue a sufocar sonhos e apagar conquistas.
Que esta mensagem ecoe e chegue aos responsáveis. Que o esporte, símbolo de superação, não seja mais um espaço de negligência. Por São Sebastião, pelo voleibol, pela dignidade de quem luta todos os dias: não vamos nos calar.